Sede Administrativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Nordeste

União Nordeste Brasileira

O Deus Desconhecido (parte 1) [Ep. 9/Temp. 2]

“Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio.”

Atos 17:23

– “Tudo que Deus criou pensando em você; Fez a Via-Láctea, fez os dinossauros; Sem pensar em nada, fez a minha vida; E te deu”  – cantava Tomás, mostrando todo o seu talento no violão, enquanto aguardavam a aula começar.

– Isso que é música! – expressou Lucas – Olha aí Pedro! Essa é sobre o teu Deus, não? Tem cantor que não é de igreja que fala de Deus também.

– Tá aí, gente! Essa música é a prova de que não é necessário fazer parte de igreja para se ter conhecimento sobre Deus, se é que Ele existe, porque acho que é mais uma invenção da mente humana. Desculpa aí, Pedro, mas você tem que concordar que esse negócio de religião só causa impedimento no crescimento da razão. Como disse Marx: “a religião é o ópio do povo”  – Elen argumentou.

Pedro sabia o que ela queria dizer com aquilo. Mais uma vez foi colocado à prova, só que dessa vez numa situação bem mais complexa. Não era apenas uma questão de explicar uma prática religiosa. Agora o pano de fundo era sobre a validade da religião como forma de canalizar o conhecimento sobre Deus. Não estava lidando apenas com a apresentação de sua identidade cristã, mas sobre a existência do próprio Deus. Era necessário mais do que uma simples resposta e comportamento. Os amigos de Pedro precisavam de mais do que um simples “eu creio, e pronto”.

Ali estava caracterizado um conflito de paradigmas. A mente de seus amigos não funcionava da mesma forma que a sua. Para Pedro, nascido e criado em um lar cristão, era fácil perceber, interpretar e aceitar os argumentos sobre Deus, como sendo normais ao seu universo. Mas como explicar essa crença para alguém cuja própria mentalidade era formatada para ver as coisas religiosas de forma diferente? Para eles, Deus é uma invenção do homem para resolver temporariamente o inexplicável.

1.            Como você explica a existência de Deus com a razão?

2.            Leia Salmo 19:1 e diga qual a relação da natureza com Deus.

3.            Pesquise qual a diferença entre fideísmo e fé. Compartilhe como isso o ajuda na formação do seu ser cristão.

Pedro percebeu que depois da declaração de Elen, um silêncio proposital tomou conta do ambiente. Era como se o mundo inteiro estivesse atento a qualquer som a ser emitido por sua boca. Pela primeira vez, tinha a atenção necessária para expor as bases de sua fé, mas aquilo vinha com uma responsabilidade gigantesca, já que não podia deixar pontas soltas em seu discurso, senão, aquilo retornaria para lhe assombrar.

– Pai, agora é contigo, porque se dependesse de mim, nem estaria aqui. Me usa. – A mente de Pedro falou nos ouvidos de Deus.

– Então Pedro, me ajuda a entender isso! – Tomás quebrou o silêncio.

– Olha, eu acho que vocês estão misturando as coisas – falou Pedro com segurança – Que tal separarmos para julgá-las em seus devidos contextos? Primeiro, a música de Djavan não fala do meu Deus. A música fala de uma divindade sem propósito, o meu Deus tem um plano bem definido para cada um de nós. Segundo, sim, Ele pode se revelar a qualquer pessoa, independentemente de sua cultura ou religião, e usar cantores quaisquer para fazer com que uma conversa de porta de sala de aula abra a mente de pessoas ao interesse de conversarem sobre Ele. Terceiro, por favor, saibam que não sigo um Deus por uma impressão, sentimento ou teimosia pessoal, tenho motivos bem racionais para justificar minha decisão de ter Deus dentro da equação de minha vida.

Os olhos arregalados de seus colegas diziam para ele não parar de falar. [Continua…]

A fé é racional. Se não for, não é fé, é fideísmo.

Rodrigo Silva

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